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Marjorie Estiano brilha como vilã na estreia de ‘Império’


Aguinaldo Silva tratou logo de dar ao público o que ele mais adora: Cora (Marjorie Estiano) uma vilã para amar e odiar.

Se faltou vilã na novela Em Família, desta vez o espaço destinado à maior megera da novela das nove, foi muito bem preenchido antes mesmo que terminasse o primeiro bloco de Império, novela do horário nobre que a Globo estreou nesta segunda (21).

Interpretada de um jeito de que dá gosto de ver por Marjorie Estiano, atriz que ainda outro dia se destacou em Lado a Lado (2012), Cora não é Nazaré, não é Carminha, muito menos Tereza Cristina ou Odete Roitman. Em tão pouco tempo, mostrou ser única, comparável somente, talves, à Perpétua (Joana Fomm) de Tieta (1989) – sem, é claro, o tom caricatural e as vestes de viúva.

Cora é recalcada e vive uma relação de interdependência com a irmã, a romântica Eliane (Vanessa Giácomo). A víbora suburbana, impediu, por maldade e também para não perder o teto na casa do cunhado, que a irmã fugisse com seu grande amor, José Alfredo (Chay Suede/Alexandre Nero). O disse-me-disse característico de folhetim – ou de “novelão”, como o autor Aguinaldo Silva vem chamando – acabou mudando o rumo do protagonista José Alfredo (Chay Suede/Alexandre Nero). 

Por causa do instinto de sobrevivência de Cora, o protagonista entrou na rota da riqueza e chegará rico ao quarto capítulo, quando a trama voltará dos anos 80 para os dias atuais. “Se isso é ser má, então eu sou”, disse ela, ao justificar que a armação era a única maneira de proteger a irmã.



Na segunda fase, a personagem será assumida por Drica Moraes, e o noveleiro certamente se surpreenderá com o quanto ela e Marjorie podem ser parecidas. Cora não poderia estar em mãos melhores, e a escalação repercutiu instantaneamente nas redes sociais – no Twitter, o aplauso para Cora foi geral.

Embalada por Lucy in the sky with diamonds, dos Beatles na voz do cantor Dan Torres (participante do reality show Fama, de 2004), Império apresentou um primeiro capítulo promissor, com belas imagens do Monte Roraima, na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, uma narrativa enxuta e um argumento que tem tudo para se tornar uma boa história. 

De certa forma e guardadas as diferenças entre as duas novelas, lembrou a estreia de Senhora do Destino, sucesso que Aguinaldo escreveu em 2004, e com um começo tão impactante quanto. Neste ponto, chama atenção ainda que a produção pareça um pouco diferente das novelas coloridas que o autor costuma fazer – mas não se iluda, o colorido e o tom popular virá após o prólogo.

Há que se considerar que as sagas envolvendo riqueza e disputas familiares estão longe de ser uma novidade na teledramaturgia. E é realmente interessante perceber o quanto as histórias envolvendo garimpo e pedras preciosas são caras aos autores, há décadas. Mas novela ainda é o gênero que acontece no dia a dia, de cena em cena, e no qual o bom aproveitamento dos clichês é o que separa o sucesso do fracasso. Por isso, a velha fantasia de estar cavando numa mina em algum lugar ermo do planeta e, de repente, encontrar o diamante que mudará sua vida pode, sim, transformar-se um roteiro irresistível. 

A senha foi dada foi Sebastião Feliciano, personagem adorável de Reginaldo Faria, que precisou durar somente um capítulo para mudar a vida de José Alfredo. Disse ele antes de morrer, num final épico: “Jogue por mim no time dos aventureiros. E ganhe!”


Fonte: veja.abril.com.br

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